Carro a gasolina está com os dias contados? Elétricos avançam no Brasil e levantam outra pergunta: e a Petrobras?

 

E aí, meu caro, na paz? Se você fosse comprar um carro hoje para ficar com ele pelos próximos dez anos, escolheria gasolina, híbrido ou elétrico?

Até pouco tempo atrás essa pergunta parecia coisa de futuro. Só que os números de 2026 mostram que alguma coisa começou a mudar rapidamente nas ruas brasileiras.

Homem esperando carro elétrico BYD carregar em ponto de recarga
Tempo de recarga ainda é um dos pontos considerados por quem pensa em trocar o carro a combustão por um elétrico.

Os carros elétricos no Brasil estão ganhando espaço, modelos de entrada estão se aproximando da faixa de preço de alguns automóveis tradicionais e existe outro fator pesando no bolso: abastecer um carro a gasolina continua caro.

E isso provoca uma pergunta ainda maior. Se uma parcela crescente dos carros deixar de depender de gasolina, o que acontece no futuro com empresas gigantes do petróleo, como a Petrobras?

Nesse artigo você vai aprender:
  • Quanto os veículos eletrificados já vendem no Brasil;
  • Por que 2026 está sendo um ano diferente para esse mercado;
  • Quanto um elétrico pode economizar no uso diário;
  • Se os carros elétricos estão ficando mais acessíveis;
  • O que ainda atrapalha quem pensa em comprar um;
  • Se o carro a gasolina realmente pode perder espaço;
  • E o que pode acontecer com a Petrobras se essa transformação continuar.

Os elétricos ainda são minoria, mas os números mudaram muito

Primeiro é preciso separar realidade de empolgação.

O Brasil ainda possui uma enorme frota movida a gasolina, etanol e diesel. Portanto, não existe sinal de que os postos vão desaparecer de uma hora para outra.

Mas quando olhamos para os veículos novos que estão sendo comprados, aparece uma mudança importante.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), somente em agosto de 2026 foram emplacados 57.386 veículos leves eletrificados no Brasil.

De janeiro a agosto, foram 328.477 unidades.

Isso representa crescimento de aproximadamente 160% em relação ao mesmo período de 2025.

🚗 Um número que chama atenção:

Em agosto, aproximadamente 22 de cada 100 veículos leves vendidos no Brasil eram eletrificados, considerando elétricos a bateria, híbridos plug-in e outras categorias híbridas contabilizadas pela ABVE.

É importante fazer essa diferença: eletrificado não significa necessariamente 100% elétrico. A categoria também inclui diferentes tipos de veículos híbridos.

O avanço dos modelos totalmente elétricos, porém, também chama atenção.

Somente os carros 100% elétricos responderam por 27.166 emplacamentos em agosto.

Na comparação com agosto de 2025, esse segmento cresceu cerca de 256%.

A expectativa da ABVE é que o Brasil termine 2026 próximo de 450 mil veículos eletrificados vendidos no ano.

A mudança fica ainda mais clara quando olhamos alguns anos para trás

Outro levantamento ajuda a entender o tamanho dessa transformação.

Dados analisados pelo International Council on Clean Transportation (ICCT) mostram que elétricos e híbridos representavam menos de 2% das vendas brasileiras em 2022.

No primeiro semestre de 2026, essa participação chegou a aproximadamente 16%, considerando as categorias utilizadas pelo levantamento.

Somente os veículos totalmente elétricos a bateria passaram de aproximadamente 30 mil unidades vendidas no primeiro semestre de 2025 para cerca de 90 mil no mesmo período de 2026.

Isso não significa que o carro a combustão acabou.

Significa algo diferente:

O consumidor brasileiro começou a ter uma alternativa real ao motor tradicional.

E existe um motivo simples: abastecer pesa no bolso

Quem trabalha e usa o carro todos os dias conhece aquela sensação de olhar para o valor da bomba e pensar duas vezes antes de completar o tanque.

É justamente nesse ponto que o carro elétrico começa a despertar interesse.

Em vez de transformar gasolina ou etanol em movimento, ele utiliza eletricidade armazenada na bateria.

Para quem consegue carregar o veículo em casa, o custo por quilômetro pode ficar significativamente abaixo do gasto de um automóvel equivalente abastecido com gasolina.

Vamos imaginar um exemplo simples

Considere um trabalhador que rode 1.000 quilômetros por mês.

Se seu carro a gasolina fizer 10 km/l, ele precisará de aproximadamente 100 litros para percorrer essa distância.

Com a gasolina acima de R$ 6 em muitas regiões, isso pode representar mais de R$ 600 por mês somente em combustível.

Um elétrico eficiente pode consumir aproximadamente 12 a 18 kWh para percorrer 100 quilômetros, dependendo do modelo, trânsito, velocidade, temperatura e forma de condução.

O custo final da recarga dependerá da tarifa de energia elétrica de cada região e das condições de carregamento.

Mas é justamente essa diferença de gasto por quilômetro que está fazendo motoristas, empresas e pessoas que rodam bastante começarem a colocar tudo na ponta do lápis.

💰 Quanto mais o carro roda, maior pode ser o peso do gasto com combustível na decisão de compra.

Isso não significa que um elétrico sempre será mais barato no custo total. Preço do veículo, seguro, depreciação, bateria, financiamento e disponibilidade de recarga também precisam entrar na conta.

Mas carro elétrico não era coisa de rico?

Durante bastante tempo, o preço foi um dos maiores obstáculos para os carros elétricos no Brasil.

Os primeiros modelos disponíveis no mercado brasileiro normalmente custavam muito mais que carros populares a combustão.

Isso começou a mudar.

A entrada de novas montadoras e o aumento da concorrência fizeram aparecer elétricos compactos próximos da faixa de R$ 100 mil.

Isso ainda é muito dinheiro para grande parte dos trabalhadores brasileiros.

Mas existe uma diferença importante em relação a alguns anos atrás: vários automóveis novos a combustão também ficaram mais caros.

Por isso, em determinados segmentos, a distância de preço entre um carro tradicional e um elétrico de entrada diminuiu.

E é aí que o consumidor começa a fazer outra conta: não apenas quanto custa comprar, mas quanto custará manter e abastecer o veículo durante vários anos.

Então comprar elétrico já é sempre melhor?

Não.

Esse é justamente o ponto em que precisamos fugir da empolgação.

Para uma pessoa que mora em apartamento sem estrutura de carregamento, viaja constantemente por regiões com pouca infraestrutura de recarga ou possui necessidades específicas de uso, a conta pode ser bastante diferente.

Também existem questões que precisam entrar na decisão, como:

  • valor do seguro;
  • depreciação;
  • preço de reparos;
  • vida útil e eventual substituição da bateria;
  • disponibilidade de peças;
  • tempo de recarga;
  • quantidade de carregadores nas rodovias.

A infraestrutura brasileira de recarga está crescendo, mas abastecer um carro a gasolina em poucos minutos ainda é muito mais simples em boa parte do território nacional.

Por isso, a escolha entre elétrico e combustão continua dependendo muito da rotina de cada motorista.

O carro a gasolina está, então, com os dias contados?

Não há base para dizer que ele desaparecerá nos próximos anos.

O Brasil possui características que tornam essa transição particularmente interessante.

Além da gasolina, temos uma enorme cadeia de etanol, veículos flex e uma frota de milhões de automóveis que continuará circulando durante muitos anos.

Os híbridos também podem ocupar um espaço importante nessa transição.

Mas existe outra maneira de fazer a pergunta.

Em vez de perguntar quando o último carro a gasolina desaparecerá, talvez seja melhor perguntar:

Em que momento comprar um carro a gasolina deixará de ser a escolha automática do brasileiro?

Porque essa mudança parece já ter começado.

E aí aparece uma pergunta enorme: e a Petrobras?

A Petrobras foi construída ao redor de uma das matérias-primas mais importantes dos últimos cem anos: o petróleo.

Parte desse petróleo termina transformada em gasolina e diesel que movimentam carros, caminhões, ônibus e máquinas por todo o país.

Agora imagine um cenário hipotético algumas décadas à frente.

Em vez de 1 milhão de carros elétricos circulando, imagine 10 milhões.

Depois 20 milhões.

Depois uma situação em que boa parte dos automóveis novos vendidos simplesmente não precisa mais parar no posto para colocar gasolina.

É natural perguntar o que aconteceria com uma empresa como a Petrobras.

Isso significa que a Petrobras perderá sua utilidade?

Não é isso que os planos atuais da companhia indicam.

No Plano de Negócios 2026–2030, a Petrobras ainda projeta forte produção de petróleo e prevê atingir um pico de aproximadamente 2,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2028.

Além disso, petróleo não serve apenas para abastecer automóveis.

Ele e seus derivados continuam presentes em áreas como:

  • transporte de cargas;
  • aviação;
  • navegação;
  • petroquímica;
  • lubrificantes;
  • plásticos e matérias-primas industriais;
  • máquinas e equipamentos pesados.

Mesmo uma eletrificação muito rápida dos carros de passeio não faria toda essa demanda desaparecer imediatamente.

Só que a própria Petrobras já está olhando para outro futuro

A parte mais interessante talvez esteja aqui.

Ao mesmo tempo em que continua investindo em petróleo e gás, a Petrobras também reservou aproximadamente US$ 13 bilhões para iniciativas relacionadas à transição energética em seu planejamento de 2026 a 2030.

Esse planejamento envolve projetos de baixo carbono, bioprodutos, descarbonização das próprias operações, pesquisa e desenvolvimento.

A companhia também estuda e desenvolve iniciativas relacionadas a combustíveis renováveis e outras fontes de energia.

Isso mostra uma mudança interessante até na forma de pensar o futuro da empresa.

Talvez a Petrobras do futuro precise ser cada vez menos apenas uma empresa de petróleo e cada vez mais uma empresa de energia.

Isso é uma reflexão sobre a direção possível dessa transformação, e não uma previsão de que o petróleo deixará de ter importância em poucos anos.

E os postos de gasolina?

Eles também podem mudar.

Um posto localizado em uma rodovia, por exemplo, pode continuar vendendo gasolina, etanol e diesel e, ao mesmo tempo, oferecer carregadores rápidos.

Com uma diferença curiosa: enquanto abastecer um tanque leva poucos minutos, carregar uma bateria pode fazer o motorista permanecer mais tempo no estabelecimento.

Restaurantes, lojas de conveniência e outros serviços podem ganhar importância nesse modelo.

Ou seja, a eletrificação não necessariamente elimina todos os negócios existentes. Em muitos casos, ela pode obrigá-los a se transformar.

Talvez estejamos vendo apenas o começo

É cedo para decretar a morte do motor a combustão.

Gasolina, diesel e etanol ainda movimentam uma parcela gigantesca do Brasil e continuarão importantes por bastante tempo.

Mas também está ficando difícil ignorar o outro lado.

Em 2022, elétricos e híbridos ainda representavam uma parcela muito pequena das vendas brasileiras. Em 2026, já conquistaram um espaço relevante entre os veículos novos.

E cada vez que o combustível pesa mais no orçamento, o consumidor ganha mais um motivo para colocar na calculadora uma alternativa que alguns anos atrás talvez nem considerasse.

Talvez o maior sinal dessa transformação não seja simplesmente encontrar um carro elétrico na rua.

É perceber que muita gente começou a fazer uma pergunta antes de comprar:

“Será que ainda vale a pena comprar um carro a gasolina?”

A resposta depende de onde a pessoa mora, quanto dirige, quanto pode gastar, onde consegue carregar e como pretende usar o veículo.

Mas o simples fato de essa pergunta estar entrando na decisão de compra já diz bastante sobre para onde o mercado automotivo pode estar caminhando.

Fontes e referências

Os dados de mercado utilizados neste artigo foram consultados na Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), no International Council on Clean Transportation (ICCT) e no Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras.

ABVE — dados sobre o mercado brasileiro de veículos eletrificados

💬 Agora quero saber de você:

Se um carro elétrico custasse praticamente o mesmo que um modelo a gasolina, qual você escolheria para ficar pelos próximos dez anos?

Um forte abraço! 🤝 Foi muito bom ter você por aqui. Até o próximo papo!

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