Foi demitida depois de 10 anos na empresa e decidiu ir embora: aos 45, sua vida era outra

 

Mulher trabalhando em cozinha profissional após recomeço na carreira
Imagem ilustrativa sobre recomeço profissional depois de uma demissão.


Fala, meu amigo e minha amiga, na paz?

Imagine trabalhar durante anos, construir uma carreira, receber seu salário todo mês e achar que, de certa forma, sua vida profissional já está encaminhada.

Aí chega um dia aparentemente normal.

Você acorda, toma seu café, talvez reclama que está cansado, pensa nas coisas que precisa resolver...

E, de repente, descobre que não tem mais emprego.

Complicado, né?

Eu, no lugar dela, provavelmente passaria os primeiros dias fazendo conta na cabeça: aluguel, mercado, cartão, próximas parcelas... e ainda com aquela pergunta martelando:

“E agora, o que eu faço?”

Foi mais ou menos nesse ponto que a vida de Jessica Ellerbrock, dos Estados Unidos, virou de cabeça para baixo.

Ela tinha 38 anos quando perdeu inesperadamente o emprego no mundo corporativo, depois de uma trajetória profissional de cerca de dez anos.

E olha... se naquele momento alguém aparecesse e falasse:

“Calma. Nos próximos anos você vai colocar uma mochila nas costas, atravessar países, caminhar pelo Caminho de Santiago, passar pela África, voltar a estudar depois dos 40, trabalhar com refugiados na Grécia e acabar construindo uma nova carreira em Londres.”

Ela provavelmente olharia para a pessoa e pensaria: “Tá bom... agora só falta dizer que eu vou ganhar na loteria também.”

Porque, convenhamos, quando você acaba de perder o emprego, é difícil enxergar tão longe.

Mas foi justamente aí que uma história completamente diferente começou.

Nesse artigo você vai aprender

  • Como uma demissão inesperada mudou a trajetória de Jessica.
  • Por que ela resolveu pegar uma mochila e viajar.
  • Como foi parar em Ruanda, na África.
  • Por que voltou a estudar aos 41 anos.
  • Como acabou trabalhando com refugiados na Grécia.
  • E como toda essa sequência de acontecimentos terminou em uma nova carreira em Londres.

O emprego acabou — e parece que uma parte dela foi junto

Jessica havia construído carreira na área de compras do varejo e passado por grandes empresas dos Estados Unidos.

Era aquela vida profissional que muita gente conhece bem.

Você entra numa empresa, aprende o serviço, assume responsabilidades, começa a ser conhecido pelo que faz e, quando percebe, boa parte da sua rotina gira em torno daquele trabalho.

Até que veio a demissão.

E essa é uma parte da história que me chamou bastante atenção.

Jessica contou posteriormente que perder o emprego mexeu também com sua identidade.

Pensa nisso.

Durante anos você responde:

“Eu trabalho com isso.”

“Sou responsável por aquilo.”

“Trabalho naquela empresa.”

Aí, de uma hora para outra, aquilo desaparece.

Não é somente o salário que deixa de entrar.

Você pode começar até a se perguntar quem é sem aquele cargo.

E olha, isso não acontece só nos Estados Unidos não.

Quem vive a rotina de trabalhador aqui no Brasil sabe muito bem como o emprego vai ocupando espaço na vida.

É despertador cedo, ônibus, trânsito, chefe, meta, almoço correndo, mensagem fora do horário...

Quando chega sexta-feira você está acabado.

Quando chega segunda-feira começa tudo novamente.

E é justamente por isso que uma demissão depois de tantos anos pode dar aquela sensação de:

“Pronto. Ferrou.”

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Mas Jessica fez uma coisa que pouca gente teria coragem de fazer

Depois da demissão, ela não simplesmente saiu procurando outro emprego exatamente igual ao anterior.

Jessica tinha uma vontade antiga de viajar.

Só que sabe aquela história?

“Um dia eu vou.”

“Quando der tempo eu faço.”

“Quando o trabalho estiver mais tranquilo eu viajo.”

E o tal momento perfeito nunca chega.

Pois é.

Depois que perdeu o emprego, esse “um dia” finalmente apareceu — só que de uma maneira que ela provavelmente não esperava.

Jessica pegou uma mochila e foi viajar pela Europa.

Ela passou cerca de dois meses na Espanha.

E durante aproximadamente um desses meses fez o famoso Caminho de Santiago.

Agora imagina essa mudança de cenário.

Pouco tempo antes ela estava dentro do mundo corporativo, preocupada com trabalho, responsabilidade e carreira.

De repente estava andando quilômetros pela Espanha com uma mochila.

Eu provavelmente estaria no meio do caminho pensando:

“Meu Deus, onde foi que eu vim parar?”

Mas para Jessica aquela caminhada começou a abrir outras questões.

Não era somente sobre encontrar outro emprego

Durante a viagem, Jessica também começou a lidar com algo muito mais antigo.

Sua mãe havia morrido de câncer de mama quando Jessica tinha apenas 27 anos.

Ela contou que o período viajando trouxe à tona questões emocionais relacionadas àquela perda.

Ou seja, aquilo que começou como uma viagem depois da demissão acabou se transformando em uma pausa para olhar para a própria vida.

E talvez você já tenha sentido algo parecido.

Às vezes a gente vive tão ocupado tentando dar conta de boleto, trabalho, casa e problema que simplesmente não sobra tempo para pensar:

“É realmente essa vida que eu quero continuar levando?”

Não estou dizendo para ninguém largar o emprego amanhã e comprar uma passagem para a Espanha, pelo amor de Deus.

Até porque aqui no Papo de CLT a gente gosta de história bonita, mas boleto continua sendo boleto.

O interessante é perceber como uma ruptura acabou fazendo Jessica enxergar possibilidades que antes nem faziam parte dos planos.

E então ela foi parar em Ruanda, na África

Se você achou que a Espanha seria a parte mais diferente da história, calma que piora — ou melhora, dependendo do ponto de vista.

Depois veio Ruanda, na África.

Jessica participou de uma experiência ligada a microfinanças.

Olha a distância entre uma coisa e outra.

Ela saiu de uma carreira corporativa nos Estados Unidos e, algum tempo depois, estava vivendo uma experiência profissional e social completamente diferente do outro lado do mundo.

Eu fico imaginando o tanto de coisa que deve passar pela cabeça de alguém nesse momento.

Você olha ao redor e pensa:

“Se alguém tivesse me mostrado essa cena alguns anos atrás, eu jamais acreditaria.”

E essa experiência ajudou a empurrar Jessica para uma nova direção profissional.

Ela começou a se aproximar mais de temas relacionados a impacto social.

Só que para fazer uma mudança de carreira de verdade havia outro desafio.

Estudar novamente.

Aos 41 anos ela voltou a estudar

Aí entra aquela frase que muita gente repete:

“Ah, agora já passou minha idade.”

Passou para quem?

Jessica tinha 41 anos quando voltou a estudar e fez um mestrado dentro dessa nova fase profissional.

E isso quebra um pouco aquela ideia de que existe uma idade certa para cada coisa.

Parece que criaram uma tabela invisível para a vida:

Com 20 você estuda.

Com 30 constrói carreira.

Com 40 já deveria estar resolvido.

Com 50 só administra o que conseguiu.

Só esqueceram de avisar a vida real dessa regra.

Porque a vida muda.

Empresa fecha.

Chefe troca.

Pessoas são demitidas.

Profissões desaparecem.

Outras aparecem.

E às vezes você simplesmente descobre que não quer continuar fazendo aquilo pelos próximos vinte anos.

Talvez o ponto mais interessante da história seja justamente este:

Jessica não estava começando outra vez porque tinha 18 anos e nenhuma responsabilidade. Ela estava mudando de direção depois dos 40.

E se você está justamente naquela fase de olhar para o relógio no trabalho e pensar “eu não quero passar o resto da vida aqui”, vale ler também este conteúdo do Papo de CLT:

👉 Sinais de que está na hora de procurar outro emprego — mesmo trabalhando de carteira assinada .

Depois ela foi trabalhar com refugiados na Grécia

A história poderia tranquilamente terminar com o mestrado.

Já seria uma mudança enorme.

Mas não terminou.

Jessica foi para a Grécia, onde trabalhou como voluntária em um campo de refugiados.

Pensa na mudança novamente.

Alguns anos antes ela estava preocupada com uma carreira corporativa tradicional.

Agora estava em outro país, convivendo com pessoas refugiadas e atuando numa realidade completamente diferente.

E aí aconteceu aquela coisa que só percebemos quando olhamos a história pronta.

Uma experiência foi puxando a outra.

A viagem levou a novas experiências.

As novas experiências mudaram a maneira como ela enxergava a carreira.

A mudança de carreira levou aos estudos.

Os estudos e o trabalho social abriram outras portas.

E uma dessas portas levava para...

Londres.

A mulher que perdeu o emprego aos 38 acabou trabalhando em Londres

Quando Jessica contou essa história, ela já tinha 45 anos.

E olha onde aquela mulher que alguns anos antes havia sido demitida estava.

Em Londres.

Ela trabalhava como gerente de Vendas e Operações de uma empresa social ligada à produção de artigos criativos e ao trabalho de mulheres refugiadas.

Agora para um segundo e pensa nessa linha do tempo.

38 anos.

Demissão.

Aquela sensação de não saber direito o que fazer.

Depois vem uma mochila.

Espanha.

Caminho de Santiago.

Ruanda.

Voltar a estudar aos 41.

Grécia.

Refugiados.

Londres.

Rapaz...

Eu imagino ela olhando para trás e pensando:

“Como é que eu vim parar aqui?”

E talvez seja justamente por isso que essa história chama tanta atenção.

Não porque tudo tenha sido fácil.

Mas porque o momento que parecia representar um fim acabou virando o início de uma sequência que ela provavelmente jamais teria planejado daquela forma.

Ela ainda criou o próprio projeto

Jessica também desenvolveu o Wanderkarma, projeto relacionado a viagens e ao apoio a artistas e artesãos locais.

E tem uma coisa interessante aí.

Ela não precisou jogar no lixo toda a experiência da carreira anterior.

Muita gente pensa que mudar de profissão significa começar absolutamente do zero.

Nem sempre.

Experiência com compras, negociação, organização, vendas, fornecedores e gestão continua sendo experiência.

O cenário muda.

Mas muita coisa que aprendemos trabalhando vai junto na mochila.

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Mas calma: não vamos romantizar a demissão

Agora vem uma parte importante.

É muito fácil olhar para essa história depois que tudo aconteceu e pensar:

“Nossa, ainda bem que ela foi demitida.”

Calma lá.

Não funciona assim.

Quem perde o emprego não recebe uma bola de cristal mostrando que daqui a alguns anos estará vivendo em Londres.

No dia da demissão existe medo.

Tem conta.

Tem aluguel.

Tem mercado.

Tem financiamento.

Tem filho.

Tem cartão vencendo.

E tem aquela maravilhosa mensagem do banco lembrando que a fatura fecha amanhã.

Então não, ser demitido não é uma aventura divertida.

A história de Jessica é interessante justamente porque mostra o que ela conseguiu construir depois daquele momento difícil.

E se isso acontecesse com um trabalhador CLT no Brasil?

Aqui existe uma diferença importante.

Jessica trabalhava nos Estados Unidos. Portanto, a legislação trabalhista brasileira não se aplicava ao caso dela.

Mas como você está lendo o Papo de CLT, vale fazer a comparação com a nossa realidade.

No Brasil, quando um trabalhador contratado pela CLT é dispensado sem justa causa, podem existir direitos como saldo de salário, férias vencidas e proporcionais acrescidas de um terço, 13º proporcional, aviso-prévio, saque do FGTS, multa de 40% sobre os depósitos do FGTS e seguro-desemprego, desde que os requisitos de cada situação sejam preenchidos.

Isso cria uma proteção financeira importante.

Mas sejamos sinceros:

Mesmo recebendo a rescisão, ninguém gosta de ficar sem saber quando será o próximo salário.

Principalmente quando a pessoa passou muitos anos no mesmo lugar.

Trocar de emprego também pode dar errado — e temos um caso desses aqui

E existe uma situação ainda mais desesperadora.

A pessoa está empregada, consegue uma nova oportunidade, acredita que está tudo certo e pede demissão.

Até aí beleza.

Só que a nova empresa volta atrás.

Aí meu amigo...

Você não tem mais o emprego antigo e também não tem o novo.

Um trabalhador brasileiro passou exatamente por uma situação desse tipo e o caso acabou na Justiça.

👉 Ele pediu demissão porque já tinha outro emprego garantido — mas a empresa desistiu e acabou condenada .

Esse é um bom exemplo de por que mudança profissional precisa de coragem, sim, mas também de planejamento.

“Mas depois dos 40 ainda dá para mudar de vida?”

Essa talvez seja a pergunta que mais combina com a história de Jessica.

E a resposta não precisa ser aquele papo motivacional de internet:

“Basta acreditar nos seus sonhos!”

Não.

Às vezes você acredita e dá errado mesmo.

Vida real é assim.

Mas dizer que depois dos 40 não existe mais espaço para aprender, mudar de profissão ou começar um projeto novo também não faz sentido.

Jessica voltou a estudar aos 41.

Depois trabalhou em outros países.

E quando contou sua trajetória, aos 45 anos, a vida profissional que tinha era completamente diferente daquela que parecia tão definida antes da demissão.

Isso não significa que todo mundo precise fazer a mesma coisa.

Talvez seu recomeço não seja Londres.

Talvez não seja África.

Talvez você nem queira sair da sua cidade.

Às vezes recomeçar significa simplesmente fazer um curso à noite.

Mandar um currículo.

Mudar de setor.

Aceitar uma vaga diferente.

Começar uma renda extra.

Ou finalmente admitir:

“Eu não quero continuar fazendo isso pelo resto da vida.”

A parte mais curiosa talvez seja esta

No dia em que Jessica foi demitida, provavelmente ninguém conseguia enxergar toda essa história.

Nem ela.

Naquele momento existia apenas um problema enorme na frente.

O emprego tinha acabado.

Só depois vieram os outros capítulos.

Espanha.

África.

Estudos.

Grécia.

Londres.

Pois é.

Às vezes a gente olha para determinado momento da vida e acha que está vendo o final da história.

Só que talvez esteja vendo apenas uma página ruim no meio dela.

A demissão continuou fazendo parte da história de Jessica.

Só deixou de ser o final.

Fontes

She Hit Refresh — episódio 51, publicado em 18 de maio de 2022, com Jessica Ellerbrock. O relato aborda a perda do emprego aos 38 anos, a viagem pela Europa, o Caminho de Santiago, a experiência em Ruanda, o retorno aos estudos aos 41 anos, o trabalho voluntário na Grécia e a posterior oportunidade profissional em Londres.

Este conteúdo apresenta uma história real baseada em informações e relatos públicos. As falas coloquiais, perguntas e comentários ao longo do texto são recursos narrativos do Papo de CLT e não representam citações literais de Jessica, salvo quando expressamente indicado.

Um forte abraço! 🤝
Foi muito bom ter você por aqui. Até o próximo papo!

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