20 milhões de brasileiros estão em situação de endividamento de risco: Banco Central revela quanto do salário já está comprometido

Na paz?

Você é daqueles , que , quando salário cai na conta, evapora , a alegria dura pouco. Primeiro vem a prestação do carro, depois a fatura do cartão, o empréstimo, a conta de luz e as compras do supermercado, que não estão nada barato.

Quando chega a metade do mês, tem trabalhador que já está pensando em como vai conseguir pagar as despesas do mês seguinte.

Essa situação está longe de ser isolada.

Um relatório divulgado pelo Banco Central em 27 de outubro de 2026 revelou que ao menos 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco em junho deste ano.

Moedas brasileiras ilustram reportagem sobre endividamento de risco de 20,3 milhões de pessoas no Brasil
Imagem ilustrativa de moedas brasileiras. Foto: Leandro dos Santos Souza / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O número de brasileiros nessa condição cresceu 75% em cinco anos, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira.

Mas existe um detalhe ainda mais preocupante: entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, o comprometimento médio da renda com dívidas chegou a 42%.

20,3 milhões

Brasileiros em situação de endividamento de risco.

75%

Crescimento em cinco anos.

42%

Comprometimento médio da renda com dívidas entre pessoas que recebem até dois salários mínimos.

O que significa ter 42% do salário comprometido?

Vamos colocar esses números na realidade de quem trabalha.

Considere uma pessoa que recebe R$ 2.000 por mês. Se ela comprometer 42% dessa renda com dívidas, terá R$ 840 destinados a esses pagamentos.

Sobram R$ 1.160 para as demais despesas, incluindo aquelas que ainda não estejam contabilizadas nas dívidas.

Agora pense em uma família com filhos, aluguel, gás de cozinha, alimentação e medicamentos.

O dinheiro pode simplesmente não ser suficiente.

E não estamos falando apenas de pessoas que compraram coisas caras ou fizeram gastos desnecessários.

Existem famílias que recorrem ao crédito para comprar alimentos, pagar despesas médicas ou cobrir emergências.

Por que tantos brasileiros estão entrando nessa situação?

O endividamento pode ter diferentes causas. Entre elas estão o custo de vida, os juros elevados, a perda de renda e o acúmulo de parcelas.

O problema aparece quando o crédito deixa de ser uma solução temporária e passa a fazer parte do orçamento mensal.

A pessoa recebe o salário, paga a fatura do cartão e precisa utilizar novamente o limite para conseguir comprar o básico.

É um ciclo difícil de interromper.

O Banco Central também demonstrou preocupação com o crescimento de modalidades de crédito mais caras, como o cheque especial, o crédito rotativo do cartão e os empréstimos pessoais sem garantia.

Como o Banco Central identifica quem está em situação de risco?

O Banco Central considera quatro sinais principais de vulnerabilidade financeira:

  1. Atraso superior a 90 dias no pagamento de parcelas de crédito.
  2. Comprometimento de mais de 50% da renda mensal com dívidas.
  3. Uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal não consignado e crédito rotativo.
  4. Renda restante após o pagamento das dívidas abaixo da linha de pobreza.

Para entrar na classificação de endividamento de risco utilizada no relatório, o consumidor precisa apresentar pelo menos dois desses sinais.

Atenção: isso não significa que todos os 20,3 milhões de brasileiros estejam com o nome negativado ou tenham deixado de pagar suas contas. Uma pessoa pode estar pagando as parcelas em dia e, mesmo assim, apresentar sinais de dificuldade financeira.

O cartão de crédito virou parte do salário?

Para muita gente, a resposta parece ser sim.

O cartão facilita compras, permite parcelamentos e ajuda em situações emergenciais. Entretanto, também pode criar a falsa impressão de que existe mais dinheiro disponível do que realmente há.

O levantamento mostrou que, entre os consumidores com renda de até dois salários mínimos, aproximadamente 15% da renda estava comprometida com dívidas de cartão de crédito.

O perigo aumenta quando a pessoa não consegue pagar a fatura integral e passa a financiar o saldo restante.

Os juros podem fazer uma dívida inicialmente pequena crescer rapidamente.

O trabalhador continua recebendo o mesmo salário, mas precisa destinar uma parcela cada vez maior dele aos pagamentos.

Banco Central prepara novas regras para empréstimos em 2027

Diante do avanço do endividamento, o Banco Central anunciou medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

A partir de 31 de março de 2027, novas regras deverão permitir que consumidores bloqueiem ofertas ativas de crédito e publicidade financeira.

Para consumidores considerados vulneráveis, ofertas ativas de crédito dependerão de autorização específica e deverão observar restrições destinadas a evitar o agravamento das dívidas.

Outras medidas, previstas para julho de 2027, incluem painéis digitais para acompanhar dívidas e regras adicionais para ofertas de empréstimos durante operações iniciadas pelo Pix.

Isso não significa que o governo vai perdoar dívidas ou impedir automaticamente todos os novos empréstimos.

A proposta é ampliar a transparência e reduzir a exposição dos consumidores a ofertas inadequadas.

Quem trabalha com carteira assinada também pode ficar superendividado?

Sim.

Ter emprego formal não garante, por si só, tranquilidade financeira.

Um trabalhador CLT pode receber salário todos os meses, ter férias, 13º salário e FGTS e ainda assim enfrentar dificuldades para pagar suas contas.

O FGTS, por exemplo, não funciona como uma conta corrente disponível para qualquer despesa. Seu saque depende das hipóteses previstas em lei.

Da mesma forma, o 13º salário pode ajudar a reorganizar as finanças, mas não resolve necessariamente uma dívida que continua crescendo com juros elevados.

A situação merece atenção especial quando as parcelas começam a comprometer gastos essenciais, como alimentação, aluguel e medicamentos.

O que fazer quando o salário já não consegue pagar as dívidas?

O primeiro passo é conhecer o tamanho real do problema.

  1. Anote o valor de cada dívida, as parcelas, os juros e as datas de vencimento.
  2. Separe as despesas indispensáveis daquelas que podem ser reduzidas ou adiadas.
  3. Procure negociar condições mais favoráveis com o banco.
  4. Compare o custo total das propostas, e não apenas o valor da parcela.
  5. Evite contratar novos empréstimos sem avaliar a capacidade de pagamento.

Uma parcela menor pode parecer vantajosa, mas um prazo muito longo pode aumentar o valor total pago.

Consumidores que não conseguem pagar suas dívidas sem comprometer o mínimo necessário à sobrevivência também podem buscar orientação no Procon e verificar a possibilidade de tratamento do superendividamento, conforme a Lei nº 14.181/2021.

Essa proteção possui requisitos e não representa perdão automático de dívidas.

Perguntas frequentes sobre dívidas e direitos dos trabalhadores

Quem tem dívidas pode perder o emprego?

Ter dívidas pessoais não é, por si só, motivo legal para demissão por justa causa. A empresa não pode simplesmente aplicar essa penalidade porque o trabalhador está endividado.

O banco pode descontar todo o salário para cobrar uma dívida?

Não existe autorização geral para retirar integralmente o salário de qualquer devedor. As possibilidades de desconto dependem da modalidade contratada e das regras legais aplicáveis.

Quem está endividado pode receber o FGTS?

O endividamento, isoladamente, não autoriza o saque do FGTS. É necessário atender a alguma das hipóteses legais de movimentação.

O governo vai quitar as dívidas dos brasileiros em 2027?

Não há, nas medidas anunciadas pelo Banco Central, previsão de quitação geral das dívidas da população.

Estar endividado significa estar com o nome sujo?

Não. Quem possui financiamento ou compras parceladas está endividado, mas pode manter todas as prestações em dia. A inadimplência ocorre quando há descumprimento das obrigações de pagamento.

O que esses 20 milhões de brasileiros revelam sobre o país?

Os números mostram um problema que vai além das contas bancárias.

Quando uma família compromete boa parte da renda com dívidas, sobra menos dinheiro para alimentação, lazer, educação e imprevistos.

Também fica mais difícil formar uma reserva financeira ou planejar o futuro.

O Brasil precisa discutir não apenas o acesso ao crédito, mas a qualidade desse crédito, os juros cobrados e a capacidade real de pagamento das famílias.

Para quem trabalha o mês inteiro e vê o salário desaparecer em poucos dias, essa discussão não é distante. Ela acontece dentro de casa, todos os meses.

E você, sente que o salário está acabando cada vez mais rápido?

Compartilhe este artigo com alguém que precisa entender o que está acontecendo com o endividamento das famílias brasileiras.

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Um forte abraço!

André Borges — Papo de CLT

Até o próximo papo!


Fonte: Agência Brasil — Relatório do Banco Central, 27/10/2026 .

Crédito da imagem: Leandro dos Santos Souza / Wikimedia Commons , licença CC BY-SA 4.0. Imagem ilustrativa.

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